Nos dias 12 e 13 de janeiro, a Universidade Federal do Ceará (UFC) realizou o 7º Seminário Interno “Implicações” do Programa de Pós-Graduação em Artes com uma programação composta por uma aula aberta de Thiago de Paula (co-curador da 36ª Bienal de São Paulo), com mediação do curador Lucas Dilacerda; além de um ecossistema de partilha, que acontece como um espaço experimental de pesquisa em artes, com mediação das artistas e pesquisadoras Bárbara Banida e Bruna Bortolotti.
A UFC vive um momento histórico ao abrir, recentemente, a sua primeira turma de Doutorado em Artes. O nascimento desse programa é fruto de um sonho coletivo e de um esforço contínuo para inventar novas possibilidades e outros caminhos de futuro para a pesquisa em artes no Ceará e no Brasil. Se, durante muito tempo, fomos atravessados pelo fantasma colonial que empurrava pesquisadoras e pesquisadores à emigração forçada (em busca de melhores condições de estudo, trabalho e reconhecimento), hoje é possível o direito de escolher permanecer, traçar as próprias rotas e produzir conhecimento a partir do próprio território. Um Doutorado em Artes no Ceará é, também, uma redistribuição do conhecimento e, portanto, do poder. Seus impactos ainda estão por vir, mas já se anuncia uma potência de vida, que se converte em desejo de novas pesquisas, encontros e processos de criação. Não é apenas um novo doutorado que nasce: é um novo Ceará e, com ele, um novo mundo possível.
É nesse contexto que a primeira turma do Doutorado em Artes da UFC organiza o 7º Seminário Interno do Programa, um encontro aberto à comunidade que se consolida como espaço fundamental de troca, escuta e partilha entre pesquisas em andamento. O seminário reafirma a importância do diálogo coletivo como motor da produção de conhecimento, entendendo a pesquisa em artes não como um percurso solitário, mas como um campo atravessado por encontros, contaminações e afetos.
Nesta edição, o seminário teve como título “Implicações”, conceito desenvolvido pela filósofa negra e brasileira Denise Ferreira da Silva, uma das vozes mais importantes do pensamento contemporâneo. Falar de “implicações” é reconhecer que nada existe de forma isolada: pessoas, ideias, corpos, histórias, paisagens e territórios estão profundamente conectados. O mundo não é feito de partes separadas, mas de relações. Estar implicado significa assumir que aquilo que acontece com o outro também nos atravessa; que nossas pesquisas, escolhas e práticas têm efeitos coletivos; e que somos, sempre, responsáveis pelos mundos que ajudamos a criar. Assim, o seminário propõe um espaço de escuta atenta e de responsabilidade compartilhada, onde pensar junto é também um gesto ético.
A programação teve início na segunda-feira (12/01), às 18h30, com a aula aberta “36ª Bienal de São Paulo: síntese, cerimônia e escuta” de Thiago de Paula (co-curador da 36ª Bienal de São Paulo), e conta com a mediação do curador Lucas Dilacerda. A atividade acontece no Miniauditório Iran Raup do IFCE e inaugura o seminário colocando em diálogo práticas curatoriais, pensamento crítico e pesquisa acadêmica, ampliando o debate sobre os modos contemporâneos de produzir e mediar a arte.
Já na terça-feira (13/01), o seminário se desdobrou no Ecossistema de Partilha, uma experiência coletiva de leitura, escuta e troca de pesquisas. Pela manhã, das 10h às 12h, aconteceu a 1ª etapa de Leituras, seguida, das 13h às 15h, pela 2ª etapa de Partilhas. Ambas foram realizadas no Miniauditório do Instituto de Cultura e Arte (ICA) da UFC, no Campus do Pici, com mediação das artistas e pesquisadoras Bárbara Banida e Bruna Bortolotti. Essas atividades propuseram um ambiente horizontal, no qual as pesquisas são apresentadas como processos vivos, abertos à contribuição, ao comentário e ao atravessamento coletivo, reforçando a ideia de que pensar arte é, sobretudo, pensar em comum.
O 7º Seminário Interno do Doutorado em Artes da UFC reafirma, assim, o compromisso do programa com a criação de espaços públicos de reflexão, com a circulação do conhecimento e com a construção de futuros possíveis para a pesquisa em artes no Ceará e no Brasil.
Programação:
Segunda-feira, 12 de janeiro
Horário: 18h30h
Local: Mini auditório Iran Raupp do IFCE – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará
Evento: Aula aberta “36ª Bienal de São Paulo: síntese, cerimônia e escuta” com Thiago de Paula (co-curador da 36ª Bienal de São Paulo), com mediação do curador Lucas Dilacerda. A atividade teve acessibilidade em Libras.
Terça-feira, 13 de janeiro
Horário: manhã (das 10h às 12h) e tarde (das 13h às 15h)
Local: Miniauditório do ICA – Instituto de Cultura e Arte da UFC (Campus do Pici)
Atividade: Partilha experimental de pesquisa em artes, em que os pesquisadores poderão ler, comentar e contribuir com as pesquisas de todos os participantes. A mediação será realizada pelas artistas e pesquisadoras Bárbara Banida e Bruna Bortolotti.



